Líderes religiosos
adoptam Fatwa contra MGF no País
Bissau, 06. Fev. 13 (ANG) - Cento e setenta Imames e chefes
tradicionais provenientes de todas Regiões e de alguns sectores do país adoptaram
por escrito uma “fatwa”” nacional proibindo a prática de mutilação genital
feminina na Guiné-Bissau.
Quebute Mané afirmou que após a aprovação desta lei pelos
deputados da Assembleia Nacional Popular, o Conselho Islâmico reuniu-se em
varias ocasiões para analisar o assunto e acabou por concluir que a prática da
excisão não consta em nenhuma das páginas do Alcorão.
Para a Presidente do Comité Nacional para o abandono de
práticas tradicionais nefastas a saúde da Mulher e da Criança, na Guiné-Bissau
cerca de 50 porcento de mulheres com idade entre 15 a 45 anos, foram submetidas
a esta prática, a qual os seus praticantes a fundamentam em nome da religião.
Fatumata Djau Baldé criticou a prática de excisão feminina e
afirmou que a mesma não pode e nem deve ser tolerada e lembrou que o lema
instituído este ano pela ONU para assinalar a data é “A intensificação da acção
mundial visando a eliminação da mutilação genital feminina, adoptada pelas
Assembleia Geral da ONU em actos concretos a fim de acelerar os resultados da
tolerância zero a prática”
Fatumata Djau Argumenta ainda que sendo um problema de
violação de direito a vida, a integridade física, a saúde sexual e reprodutivo e aos direitos sócio/culturais exige além da informação, formação e
sensibilização das comunidades, a aplicação de medidas legislativas como forma
de desencorajar esta prática
Por sua vez o Ministro da Saúde Pública e da Solidariedade
Social disse a prática da Mutilação Genital Feminina preocupa não só a
sociedade Guineense assim como as Nações Unidas que decidiram instituir
oficialmente a data como a forma de chamar a atenção dos Governos e das Comunidades
em geral sobre a responsabilidade que têm na erradicação de todas as práticas
consideradas nefastas à saúde da Mulher e da Criança.
Agostinho Cá admitiu que as Comunidades Guineenses praticam esse
fenómeno por força de certas tradições culturais, religiosos e sobretudo, por
desconhecimento do facto de que as mesmas constituem uma violação aos direitos
das Crianças e das Mulheres

O titular da Saúde Pública afirmou que a continuidade desta
prática está mais ligada à alta taxa de analfabetismo da camada feminina no
País associado ao elevado índice de pobreza.
Assegurou que para reverter esta situação, as autoridades
Guineenses engajaram-se em adoptar determinadas medidas públicas, mais
concretamente, a introdução nos currículos escolares e acções ligados ao
combate da Excisão e outros comportamentos estereotipados em relação à Mulher e
a Criança.
Agostinho Cá assegurou que a adopção e assinatura deste
documento vem reforçar o sinal da determinação que a sociedade guineense já
transmitiu ao mundo, em tudo fazer para a eliminação de vez a prática da
Mutilação Genital Feminina.
Gana Fofang do PNUD admite que a mutilação genital feminina
nega qualquer possibilidade à visão de um mundo onde meninas e mulheres são
livres de fazerem suas escolhas, terem uma saúde sexual e reprodutiva
reconhecida como um direito fundamental e a não serem discriminadas.
Ibarima Sori Djaló Presidente da ANP, quem recebeu os
documentos assinados pelos imames na presença dos 12 fanatecas presentes no
acto, representantes das agências das Nações Unidas, deputados e membros do
Governo disse que com aprovação e a entrada em vigor no ordenamento jurídico da
Guiné-Bissau da lei que proíbe a mutilação genital, passou a ser criminalizada
uma prática ancestral reconhecidamente nefasta a saúde pública feminina.
O Presidente do Parlamento Guineense disse que o percurso
para adopção desta lei foi muito longo, complexo, com muitos sobressaltos e
resistências próprio de fenómenos culturais, de vários anos da prática, mas
tendo na consciência de que era preciso pôr cobro ao sofrimento das raparigas e
mulheres, obrigou a tomada desta posição dos deputados.
“É um gigante passo dado em relação a abolição da pratica da
excisão feminina, mas o certo é que precisa de ser acompanhado por acções e
campanhas de sensibilização junto das comunidades praticantes da excisão.
ANG/AI/JAM
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