segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Especial 24 de Setembro/”Morés foi relegado  ao esquecimento depois da independência”, diz comité local

Bissau,21 Set 20(ANG) – O Comité(responsável popular) da Secção de Morés, sector de Mansabá na região de Oio, norte do país, afirmou que aquela localidade foi relegada ao esquecimento total depois da proclamação da independência da Guiné-Bissau em 1973.

Em entrevista concedida aos repórteres da ANG, Jornal Nô Pintc

Vista do antigo Armazéns de Povo em Morés
ha e RDN no âmbito das celebrações dos 47 anos da independência, que se assinala à 24 de Setembro,  Yaia Bodjam disse que os populares de Morés estão a depara-se com dificuldades de vária ordem, nomeadamente a falta de tudo, desde estradas, energia elétrica, escolas e a degradação de todas as infraestruturas do Estado.

“Pelas informações que recebemos dos nossos pais, Amilcar Cabral afirmava que depois da independência do país uma das prioridades seria a criação de infraestruturas indispensáveis para a vida da população de Morés tendo em conta que foi das localidades da zona norte mais fustigada pelos bombardeamentos dos colonialistas portugueses”, disse.

Por sua vez, o chefe administrativo da secção de Morés salientou que nos primeiros anos da independência, o primeiro Presidente da Guiné-Bissau Luís Cabral tentou fazer alguns esforços em termos de criação de condições mínimas para o desenvolvimento daquela localidade, em cumprimento das recomendações deixadas pelo fundador da nacionalidade guineense, Amilcar Cabral.

Mussa Djancó disse que durante o mandato de Luís Cabral era notória a criação de algumas infraestruturas na secção de Morés nomeadamente os Armazéns do Povo, Internato Osvaldo Vieira, abastecimento da luz electrica, água, escolas, centros de saúde equipado com ambulância de evacuação de doentes entre outras.

“Com o golpe de Estado de 1980, que culminou no derrube de Luís Cabral, começou-se a notar a degradação das referidas infraestruturas ”, frisou, acrescentando que o ex-Presidente Luís Cabral tinha uma visão e muita sensibilidade para com os populares de Morés.

Aquele responsável sublinhou que, tinha a plena consciência  de que, se o mandato de Luís Cabral perdurasse muitos anos, a vida dos populares 

Vista do Internato de Morés

da secção de Morés e da Guiné-Bissau no geral seria diferente.

Perguntado sobre se com as dificuldades com os populares da secção de Morés  enfrentam actualmente e tendo em conta o sofrimentos durante a lura armada, se valeu a pena a independência da Guiné-Bissau, Mussa Bodjam disse que a independência não faz sentido se as populações continuassem a viver na miséria.

“Morés era a Base Central do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde(PAIGC), na frente norte, e isso justificava as frequentes incursões e ataques perpetrados pelas tropas coloniais portugueses na cidade”, explicou.

Aquele responsável disse contudo que, não estão arrependidos porque conseguiram alcançar o objectivo da luta armada que é a independência total do Povo guineense e cabo-verdiano do jugo colonial, adiantando contudo que as promessas da criação de uma vida melhor e da reconstrução nacional não foram cumpridas ao logo dos cerca de 47 anos da Independência
ANG/ÂC//SG

 

 

 

 

 

 

 

 

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