sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Marcha/Reação



LGDH exige libertação imediata de manifestantes  

Bissau, 17 Nov 17 (ANG) - A Liga Guineense dos Direitos Humanos (HGDH) exige a libertação imediata e incondicional dos manifestantes detidos na marcha de “coletivo dos partidos democráticos” realizada quinta-feira em Bissau.

A informação consta num comunicado à imprensa enviada hoje à redação da ANG.

No comunicado a LGDH considerou de triste a atuação das Forças de Segurança contra manifestantes, no âmbito da marcha organizada pelo “Colectivo dos Partidos Democráticos”, quando estes tentavam aceder à Praça dos Heróis Nacionais.

“Esta intervenção desajustada e excessivamente violenta das Forças de Segurança que resultou na detenção de 14 indivíduos, sendo quatro deles posteriormente conduzidos ao hospital devido aos ferimentos sofridos, e mais de uma dezena de feridos até ao momento contabilizados, constitui uma violação flagrante dos direitos fundamentais dos cidadãos”, refere o documento.

O comunicado de imprensa acrescenta que o acto representa igualmente
 uma ameaça à democracia e à liberdade de manifestação consignadas na Constituição da República e nas demais leis em vigor no país.

De acordo com o documento, a LGDH condena a atuação das Forças de Segurança e considera- a  uma forma de cortar as liberdades de manifestação e de expressão na Guiné-Bissau.

Exortou o Governo, em particular o Ministério do Interior no sentido de se abster da prática de actos que possam agravar ainda mais  a situação da crise política vigente no país.

A LGDH instou o Ministério Público a abertura de um inquérito transparente e conclusivo com vista ao esclarecimento cabal das circunstâncias em que ocorreu o acto acima referido, e consequente responsabilização criminal dos seus autores.

A Liga apela os atores políticos, sobretudo aos protagonistas da presente crise,uma maior contenção e moderação no que concerne as declarações públicas, capazes de pôr em causa a paz e tranquilidade que o país almeja.

 Alertou os efetivos das forças de segurança sobre eventuais responsabilidades criminais decorrentes do cumprimento de ordens ilegais. 

ANG/AALS/ÂC/SG






Dia das FARP



CEMGFA apela aos cidadãos civis para não se  interferirem  em assuntos militares

Bissau, 17 Nov 17 (ANG) – O Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) apelou quinta-feira aos guineenses civis para se abdicarem de interferir em assuntos militares.

Biaguê Na Ntan que dirigia uma mensagem alusivo à comemoração do Dia das Forças Armadas Revolucionarias do Povo (FARP), que se assinala a 16 de novembro, disse que o apelo vem na sequência das recentes especulações difundidas na imprensa nacional e estrangeira segundo as quais ele teria entregado ao Chefe de Estado, José Mário Vaz um pedido de demissão das suas funções.

Referindo-se ao evento, Biagué Na Ntan afirmou que antes da criação das FARP, já existia uma força de guerrilha que desempenhava cabalmente as suas funções para que foi criada.

Informou que na dinâmica da própria guerra, o mesmo transformou-se num exército regular organizado e bem treinado cuja missão era exclusivamente combater contra o exército colonial português.

Explicou que com a existência das FARP, foram criadas condições mínimas para formação dos jovens quadros das forças armadas possuindo assim um comando organizado que permite dar respostas operativas de ponto de vista militar.

O CEMGFA referiu que foram estes homens que facilitaram o processo da independência, proclamada em 24 de setembro de 1973, em Madina de Boé, no leste do país.

Acrescentou que depois da independência, as Forças Armadas sofreram várias transformações até a abertura ao multipartidarismo em 1991, tornando-se apartidário, deixando de ser braço armado de qualquer força política.

“Apesar disso, não escapou as influências dos políticos e, como consequência, o país mergulhou numa crise político-militar em 1998, que dividiu as forças armadas até ao passado recente e  as sequelas da referida crise foram apagadas com as eleições gerais em 2014”, referiu.

Na Ntan clarificou que graças a liderança ponderada e equilibrada da atual direcçâo das Forças Armadas, o país  respira ar de alívio, que permitiu as instituições políticas desempenharem as suas funções com segurança.

Explicou que três anos após a sua nomeação para o cargo do CEMGFA os militares realizaram entre outras obras, a  reabilitação das casernas militares na Fortaleza de Amura, a restruturação das Forças Armadas, formações no exterior, capacitação dos oficiais subalternos e sargentos em Cumeré e a preparação da Escola de São Vicente para curso de promoção de quadros permanentes.

Em relação as atividades desenvolvidas, disse que transformaram o clube de Estrela Negra em Hotel Militar, reativaram os acordos com países amigos, relançaram a produção agrícola, o processo de recrutamento es novos mancebos, cuja formação está em curso.

Por sua vez. o Chefe de Estado Maior da Força Aérea, Ibraima Papa Camará elogiou  o CEMFA pelo esforço e empenho que tem dado aos militares e agradeceu o Reino de Marrocos pela oferta de novo fardamento aos três ramos das Forças Armadas da Guiné-Bissau.

As FARP foram fundadas em 16 de Novembro de 1964 e durante a cerimónia de comemoração da efeméride estiveram presentes os ministros das Obras Públicas, dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro Militar das Nações Unidas.

ANG/JD/ÂC/SG

CEDEAO



 Alpha Condé lamenta não ter anunciado em Conacri o nome do primeiro ministro acordado

Bissau,17 Nov 17(ANG) - Alpha Condé, presidente em exercício da União Africana, admitiu quinta-feira em Paris falhas na gestão da mediação da CEDEAO e da organização pan-africana, incapaz de pôr cobro ao impasse em Bissau .

Foto Arquivo
Em declarações a Olivier Rogez, Alpha Condé lamentou não ter anunciado em Conacri o nome do primeiro-ministro que fora acordado para a Guiné-Bissau.

Condé alegou não o ter feito para respeitar a soberania do vizinho guineense e para preservar o seu homólogo, José Mário Vaz que alega não estar a cumprir um Acordo com o qual todas as partes guineenses concordavam.

Alpha Condé é também o chefe de Estado da Guiné Conacri, um país que está em foco em Paris até esta sexta-feira com um evento sobre o financiamento do plano de desenvolvimento.

"A constituição da Guiné-Bissau é como a constituição portuguesa. O presidente não tem poderes, é um pouco como a rainha de Inglaterra ou o presidente alemão. E isto quando ele é eleito por sufrágio universal, o que já é uma contradição.

A CEDEAO falhou a oportunidade: devíamos durante a transição ter ajudado os nossos amigos da Guiné-Bissau a modificar a constituição.

Mas há acordos que foram assinados: é o partido maioritário guineense que designa o primeiro-ministro... No caso o PAIGC. Convencemo-los a prescindir deste direito e que o presidente apresentasse nomes.

Trata-se de aplicar os Acordos de Conacri que não foram aplicados pelo actual presidente da república. Ou seja é preciso voltar a este Acordo que foi aceite por todos. Admito que haja uma parte minha de culpa: para respeitar a soberania da Guiné-Bissau não quis anunciar o nome do primeiro-ministro em Conacri.

Deixei essa tarefa para o presidente. Enganei-me ao fazer isso. Se toda a gente lá se encontrava, mais valia ter anunciado o nome do primeiro-ministro.

Tanto mais que toda a gente estava de acordo com isso. Pequei por falta de vigilância, mas fi-lo por respeito para com o presidente Vaz que ainda assim é o presidente da Guiné-Bissau.


A solução passa por um regresso ao Acordo de Conacri porque este é a sequência dos acordos anteriores de Bissau, Conacri só o veio confirmar. Ou seja a solução passa por um regresso ao Acordo de Conacri."  ANG/RFI

Desporto



Empresário de futebol Eusébio Mango acusa  colegas de abandono de jovens futebolistas em Portugal

Bissau,17 Nov 17(ANG) – O empresário que intervém na aérea de futebol, Eusébio Mango Fernandes acusou quinta-feira vários outros empresários desportivos de abandonarem jovens futebolistas à sua sorte em Portugal, sem mínimas condições.

Foto Arquivo
Em entrevista à Rádio Jovem, Eusébio Mango disse que chegou a organizar um encontro, em Lisboa, com futebolistas nessas condições, e constatou que a maioria dos que marcaram a presença era guineense, seguido por angolanos e guineenses de Conacri.

O jovem empresário  que foi homenageado no bairro onde nasceu em Bissau (Pefine), no último fim semana, pelo trabalho que tem desenvolvido enquanto agente de futebol, disse que esta situação é preocupante e instou aos seus colegas empresários a melhorar o trabalho para estancar a prática.

Visto como um dos grandes empresários da Guiné-Bissau em progressão no futebol europeu, Mango Fernandes, revela que nunca levou um jogador à Europa por encomenda de outros agentes.

“Não vou apontar dedo a ninguém por esta prática, mas eu sempre estou no país para conhecer em primeira pessoa o jogador que vou levar para o futebol profissional, porque fiz um trajeto como futebolista durante muitos anos em Portugal, nomeadamente, no Sporting antes de ser empresário de futebol. Conheço jogador com capacidade para jogar ao mais alto nível”, argumentou Fernandes.

Eusébio Mango Fernandes, que antes de ser empresário de futebol, teve oportunidade de trabalhar como observador técnico do Sporting Clube de Portugal para captar talentos, durante 6 anos, revela que os jovens futebolistas estão a ter dificuldade da integração devido a realidade europeia.

“Muita das vezes quando um jogador muda para futebol europeu, nomeadamente em Portugal, em termos emocional liberta facilmente e expressa aquilo que sabe, mas há caso dos que quando estão na Europa ficam como se estivessem em  Bissau”, referiu ainda o empresário.

Nesta entrevista à Rádio Jovem, Mango Fernandes, abordou o momento do jovem futebolista guineense, Alfa Semedo que atua no Moreirense da primeira liga portuguesa de futebol na presente época.

Segundo o empresário, “Carvalho” como é vulgarmente conhecido em Bissau, está a ser seguido neste momento por vários clubes nas principais ligas, com destaque para Liga Espanhola de Futebol e a Premier League da Inglaterra.

Sem citar nomes dos clubes, Eusébio Mango Fernandes, revela que Alfa Semedo já recebeu propostas de dois clubes espanhóis e Ingleses.

“O que eu posso dizer é que há uma abordagem real, sem especulação por “Carvalho” destes dois países europeus, mas vamos continuar a conversar para vermos o que vai acontecer”, afirmou o empresário do jovem futebolista que atua como médio defensivo.

Oriundo da “Academia Fidjus di Bideras” em Bissau antes de rumar para o Seixal onde jogou no júnior do Sport Lisboa e Benfica e, depois um ano de empréstimo no Vila-franquense, agora no Moreirense, Alfa Semedo, é visto por vários comentadores desportivos nacionais como um dos jogadores guineenses com uma grande margem para singrar no futebol europeu. 

“Eu sempre disse que “Carvalho” tem qualidades para jogar nos três grandes clubes de Portugal (Benfica, Sporting e FC Porto), mas que continue a trabalhar duro e com muita humilde”, referiu ainda o agente .

Questionado  sobre a informação que dá conta de que o selecionador português de sub-21, Rui Jorge está a observar o jovem futebolista para futuras convocatórias, o empresário confirma e disse que o selecionador pondera convocar a qualquer o momento atleta natural da Guiné-Bissau.

Para além da seleção de Portugal, o empresário disse que foi também abordado pelo selecionador nacional, Baciro Candé sobre uma possível convocatória do jogador para representar as cores nacionais.

O jovem empresário para além da homenagem que recebeu em Bissau, também aproveitou a sua estada no país para ultimar a transferência de dois jovens futebolistas, Ailton e Jailson que brevemente vão entregar os trabalhos no Clube Desportivo Feirense.
Eusébio Mango Fernandes, saiu de Bissau em dezembro de 1987, como futebolistas que queria tentar a sorte no futebol português.

Nos primeiros passos enquanto  jovem, jogou pelo Sporting Clube de Portugal e FC Porto, já enquanto sénior teve passagem por Portimonense, Famalicão, Oliveira de Hospital, Torres Novas, Recreio de Agida, Valonguense e Lousanense.

Mango Fernandes, também teve oportunidade de jogar nas seleções jovenis de Portugal. 

ANG/Rádio jovem

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Marcha de Oposição

          Forças da Ordem dispersam manifestantes com gás lacrimogênio

Bissau, 16 Nov 17 (ANG) - As forças da Polícia de Ordem Pública (POP), dispersaram hoje com granadas de gás lacrimogénio, uma marcha pacífica convocada pelo Colectivo de Partidos Políticos nas medições da Praça dos Heróis Nacionais.

A marcha que congrega milhares de dirigentes, militantes e simpatizantes do Colectivo constituído por 18 partidos políticos iniciou na Rotunda da Chapa de Bissau percorrendo até a frente da sede do Sport Bissau e Benfica onde foram vedados o percurso por diversos cordões das Forças de Ordem que bloquearam a estrada com um camião de atrelado longo.

 Os manifestantes, incluindo os líderes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde(PAIGC), Domingos Simões Pereira e do partido Aliança do Povo Unido(APU-PDGB), Nuno Gomes Nabian, exibiram cartazes com as frases “ Jomav o Povo não está contigo”, “A Democracia, Hoje, Amanhã e para Sempre”.

Os marchantes decidiram ir para uma via alternativa para atingir a Praça dos Heróis Nacionais mesmo assim  as Forças de Ordem  disparam continuadamente contra eles granadas de gás lacrimogénio.

Na ocasião, o Porta-Voz do Colectivo dos Partidos Políticos Democrático e líder da APU-PDGB, Nuno Gomes na Biam dirigiu uma mensagem aos marchantes afirmando que é compreensível o impedimento da Forças da POP porque apenas estão a cumprir ordens superiores.

Acrescentou por outro lado que, enquanto líderes políticos, estão simplesmente a defender o direito de todo o povo guineense, frisando que ninguém tem direito de pôr em causa a independência conquistada pelos combatentes.

Por sua vez, o Presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, afirmou que estão despostos a marchar na base de respeito a lei, tendo realçado que de acordo com a lei, as forcas da POP não têm direito de impedi-los de ficar  pelo menos à “100” metros do Palácio da República.

A marcha promovida pelo Colectivo de Partidos Políticos Democraticos do país, resultou em  espancamentos e o lançamento de gás lacrimogénio sobre os marchantes, tendo registado alguns ferimentos ligeiros que foram conduzidos ao Hospital Nacional Simão Mendes.  ANG/LLA/ÂC/SG        
    

Angola



    Filhos de Eduardo dos Santos reagem a exonerações nas redes sociais

Bissau, 16 Nov 17 (ANG) - O Presidente angolano, João Lourenço, exonerou Isabel dos Santos, filha do anterior chefe do Estado, José Eduardo dos Santos, do cargo de presidente do conselho de administração da Sonangol, nomeando para o seu lugar Carlos Saturnino, disse fonte oficial.

Também na quarta-feira, 50 dias após a posse como terceiro Presidente da República, João Lourenço, general na reserva, de 62 anos, mandou cessar o contrato com a empresa Semba Comunicação, que tem como sócios os irmãos Welwitshea ‘Tchizé’ e José Paulino dos Santos ‘Coreon Du’, outros dois filhos de José Eduardo dos Santos, e que assegura a gestão do canal 2 da Televisão Pública de Angola (TPA).

O Fundo Soberano de Angola (FSDEA), que gere ativos do Estado de cinco milhões de dólares, liderado por José Filomeno dos Santos, outro dos filhos do ex-chefe de Estado, é para já o único a escapar às exonerações decididas por João Lourenço.

No Instagram, Isabel dos Santos colocou uma citação do filósofo Aristóteles, que parece uma reação irónica à exoneração.

Welwitshea, conhecida como Tchizé, reagiu no “Facebook”, com um “post” a negro e uma mensagem irónica.

No sábado, aproveitando as comemorações do 42.º aniversário da independência angolana, João Lourenço alertou para os “inúmeros obstáculos no caminho” deste mandato, mas garantiu que as metas que assumiu, desde logo no combate à corrupção, são para encarar “com a devida seriedade e responsabilidade”.

“Sei que existem inúmeros obstáculos no caminho que pretendemos percorrer, mas temos de reagir e mobilizar todas as energias para que esse cumprimento se efetive nos prazos definidos”, apontou.

No Banco Nacional de Angola, e depois de tirar a confiança política em público, criticando a gestão do governador Valter Filipe, nomeado por José Eduardo dos Santos em 2016, João Lourenço colocou no lugar José de Lima Massano, que regressa após a exoneração em 2015, classificando-o como um “homem íntegro e trabalhador”.

Inesperada foi a rescisão, ordenada pelo Presidente, do contrato de exploração de laboratórios de análises com a empresa Bromangol, acusada pelos empresários de encarecer a importação de alimentos por ser a única reconhecida pelo Estado para realizar as obrigatórias análises laboratoriais. 

Acresce a exoneração de funções nomeadas pelo anterior chefe de Estado do responsável pelo Secretariado Executivo do Conselho Nacional do Sistema de Controlo e Qualidade, Jorge Gaudens Pontes Sebastião, que alguma imprensa local aponta como sócio de José Filomeno dos Santos na Bromangol.

Entre todos os decretos de exoneração que João Lourenço assinou em praticamente 50 dias de governação, destaque ainda para as mudanças profundas na comunicação social estatal, que se seguiram à própria extinção do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA), órgão liderado pelo influente ex-ministro Manuel Rabelais, desde 2012 responsável pela imagem da Presidência de José Eduardo dos Santos.

Foram ainda exonerados os conselhos de administração da Televisão Pública de Angola (TPA), Rádio Nacional de Angola (RNA), Edições novembro e da Agência Angola Press (Angop). No caso da TPA, saiu Hélder Manuel Bárber Dias dos Santos do cargo de presidente do conselho de administração, além de Gonçalves Ihanjica e outros cinco administradores executivos e dois não executivos.

A televisão pública, criticada por observadores nacionais e internacionais pelo excesso de cobertura dada à campanha eleitoral do MPLA, e de João Lourenço, é liderada desde terça-feira por José Fernando Gonçalves Guerreiro.

Da empresa Edições Novembro, que publica o Jornal de Angola, foi exonerado José Ribeiro do cargo de presidente do Conselho de Administração, sendo este também diretor daquele diário estatal e autor dos habituais editoriais críticos às alegadas ingerências de Portugal em Angola, substituído nas funções por Victor Emanuel Nelson da Silva.

Igualmente tida como surpreendente foi a exoneração de Carlos Sumbula do cargo de presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama), a segunda maior empresa nacional, e que já este ano tinha sido reconduzido nas funções – que ocupava desde 2009 – por José Eduardo dos Santos.

Para controlar as receitas do setor diamantífero, onde precisamente Isabel dos Santos e o marido, Sindika Dokolo, têm vários interesses, o novo Presidente angolano colocou o economista José Manuel Ganga Júnior, antigo diretor-geral da Sociedade Mineira de Catoca, responsável por 75% da produção diamantífera anual do país.

Nos primeiros 50 dias de governação de João Lourenço foi ainda afastada a administração da Empresa de Comercialização de Diamantes (Sodiam), nomeada em julho e que era liderada por Beatriz Jacinto de Sousa, lugar ocupado agora por Eugénio Bravo da Rosa. ANG/péroladasacacias.net

Justiça



Ministério beneficia de um projeto para promoção de Serviço de Qualidade no sector

Bissau, 16 Nov 17 (ANG) - O Ministério da Justiça beneficiou de um projeto para Promoção do Serviço de Qualidade, através da formação dos seus técnicos visando o reforço de capacidade dos seus quadros.
 
A revelação foi hoje feita pelo representante do ministro da Justiça, Degol Mendes, no ato do enceramento do Atelier de Assinatura do Acordo de Financiamento do Projeto de Apoio à Reforma no Sector da Justiça que teve lugar em Bissau.

“O referido projeto foi financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), no valor de 1.8 milhões de dólares e terá a duração de dois anos”, informou Degol Mendes.

Mendes disse ainda que o projeto permitirá igualmente a aquisição de equipamentos, e que tudo isso será uma mais valia em termos de prestação de serviço público.

Por sua vez, o Secretário de Estado do Plano e Integração Regional José Biai considerou o projeto de um instrumento para a promoção da justiça e paz no país.

O projeto surgiu através de uma iniciativa do Ministério da Justiça, apoiada pelo  Programa de Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD) e financiada pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). ANG/AALS/ÂC/SG

Crise política

              “Marcha  de defesa de Estado de Direito”, diz Iaia Djalo

Bissau, 16 Nov 17 (ANG) – O Presidente do Partido Nova Democracia (PND), uma das formações políticas do Colectivo das forças de oposição que exige a demissão do actual governo, disse que a manifestação de hoje foi realizada em “defesa de Estado de Direito” na Guiné-Bissau.
 
Em declarações à ANG durante a marcha do fórum de 18 partidos aqui em Bissau, Iaia Djaló acrescenta que a mesma é feita em “defesa da Constituição, da liberdade de expressão e de respeito aos Acordos de Bissau e Conacri” para a saída da actual crise política no país.

“O País vive há mais de dois anos sem nenhum governo que consiga aprovar os instrumentos de governação, ou seja, o Orçamento Geral de Estado e o Programa de Governo”, refere o político para acrescentar  que “ os cidadãos devem ser informados das receitas e as despesas do Estado”.

Iaia Djalo que afirma que o país “não pode continuar a deriva”, assegura que “as manifestações são para continuar até que o Presidente da República saia do Palácio ou demita este governo”, que estas formações politica  consideram de ilegal, a luz da Constituição e do Acordo de Conacri.

Por outro lado, o líder do PND afirmou que o Chefe de Estado, José Mário Vaz “perdeu o poder, por deixar o Palácio” (de visita no interior) perante uma manifestação do género “que  revela que o povo está do lado destas forças de oposição”.

Djalo  acusa as autoridades policiais de “não cumprirem o acordado”, em relação ao itinerário da marcha.

 Na zona que dá acesso a Praça dos Heróis Nacionais, onde fica a residência oficial do Presidente da República, a polícia lançou gás lacrimogénio para impedir a progressão dos manifestantes.

Segundo o programa deste Colectivo de Partidos, amanhã, sexta-feira, haverá uma nova marcha para “exigir ao Presidente da República a demissão do actual governo” de Umaro Sissoco Embaló . ANG/QC/SG   

Zimbabué



 PR sul-africano convoca reunião de urgência da comunidade da África Austral

Bissau, 16 Nov 17 (ANG) – O chefe de Estado sul-africano, Jacob Zuma, na qualidade de presidente da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), convocou para hoje uma reunião de urgência da organização regional para analisar a crise político-militar no Zimbabué.
Imagem de militares nas ruas de Harare

A reunião, prevista para as 15:00 locais (11:00 em Bissau), deveria decorrer  em Gaborone, capital do Botsuana, com  participação dos chefes da diplomacia de Angola, África do Sul, Tanzânia e Zâmbia e do presidente do Conselho da SADC.

Na quarta-feira, num comunicado em que manifestou “preocupação”, Zuma instou o Governo zimbabuano e as forças armadas a resolverem o “impasse político de forma amistosa”, salvaguardando a necessidade de se manter a legalidade constitucional, uma vez que o contrário viola as posições tanto da SADC como da União Africana (UA).

Até agora, ninguém utilizou a frase “golpe de Estado” para definir uma crise iniciada com a tomada das ruas da capital, Harare, pelas forças armadas, que mantêm o Presidente, Robert Mugabe, e a mulher, Grace, em regime de prisão domiciliária, além de terem detido vários ministros.

Um porta-voz das Forças Armadas negou tratar-se de um golpe de Estado militar, limitando-se a indicar que a operação visa deter “criminosos” ligados a Mugabe.

Segundo os meios de comunicação social locais, os militares prenderam pelo menos três ministros com ligações às aspirações políticas da “primeira-dama”, Grace Mugabe, que pretende candidatar-se à vice-presidência, após o marido, Robert Mugabe, ter destituído desse cargo Emmerson Mnangagwa.

A crise foi desencadeada precisamente pela exoneração do vice-presidente, tido como um incondicional do partido no poder (ZANU-PF) e veterano de guerra, previsível sucessor de Mugabe, actualmente com 93 anos e no poder desde que o país acedeu à independência, em 1980.

Informações oficiosas provenientes da vizinha África do Sul dão conta de que Mnangagwa está a negociar com a oposição zimbabuana e com os veteranos de guerra um governo de transição até às eleições de 2018, o que confirmará a teoria de que está em curso um golpe de Estado no Zimbabué. ANG/Inforpess/Lusa