quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

  UE/África/ Cimeira de líderes para reanimar parceria arranca hoje em Bruxelas

Bissau, 17 Fev 22(ANG) – Líderes da União Europeia (UE) e da União Africana reúnem-se entre hoje e sexta-feira em Bruxelas, na VI cimeira UE-África, sucessivamente adiada devido à pandemia, que visa revitalizar uma parceria ameaçada pela presença russa e chinesa no continente africano.

Esta cimeira entre UE e União Africana (UA), originalmente prevista para 2020, pode finalmente ter lugar face à evolução da situação pandémica, que permite a presença em Bruxelas de cerca de sete dezenas de chefes de Estado e de Governo dos dois continentes, mas realiza-se em plena crise entre Rússia e Ucrânia, o que levará, de resto, os líderes da União Europeia, entre os quais o primeiro-ministro António Costa, a manterem antes uma reunião informal a 27 para discutir os mais recentes desenvolvimentos.

Quase cinco anos depois da anterior reunião de líderes da UE e UA, celebrada em Abidjan em 2017, Bruxelas acolhe a VI cimeira, que contará com a participação de cerca de 70 delegações ao mais alto nível dos Estados-membros das duas organizações, incluindo Portugal e os países africanos de língua portuguesa (PALOP).

Os países africanos lusófonos deverão estar todos representados ao mais alto nível na cimeira, sendo esperados os chefes de Estado da Guiné-Bissau,  Moçambique e de São Tomé e Príncipe, o vice-presidente de Angola e o primeiro-ministro de Cabo Verde.

Além dos 27 chefes de Estado e de Governo da UE, entre os quais António Costa, e dos mais de 40 líderes dos países membros da UA que confirmaram a presença na cimeira, participarão vários “convidados externos”, das mais diversas organizações, incluindo os directores-gerais da Organização Mundial da Saúde (OMS), o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, da Organização Mundial do Comércio (OMC), a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, e da Organização Internacional para Migrações (OIM), o português António Vitorino.

Ausentes estarão quatro países que a União Africana suspendeu e não convidou para a cimeira de Bruxelas, dado terem sido palco de golpes de Estado, designadamente Burkina Faso, Mali, Sudão e Guiné-Conacri.

Também face à forte adesão, saudada por fontes diplomáticas europeias – que notaram que, na cimeira da União Africana celebrada no início do mês da Etiópia participaram não mais que 30 chefes de Estado -, esta VI cimeira terá um formato inédito, tendo as mesmas fontes explicado que, em vez de uma “longa sessão plenária com tantas delegações” que dificilmente produziria resultados, terão lugar várias mesas-redondas temáticas, moderadas pelos próprios líderes (um ou dois chefes de Estado e de Governo de cada parte, UE e UA).

As sete mesas-redondas serão consagradas aos temas “financiamento para o crescimento sustentável e inclusivo”, “alterações climáticas e transição energética, digital e transportes”, “paz, segurança e governação”, “apoio ao sector privado e integração económica”, “educação, cultura, formação profissional, migração e mobilidade”, “agricultura e desenvolvimento sustentável” e “sistemas de saúde e produção de vacinas”.

Um dos principais resultados concretos desta cimeira, cujo objectivo é revitalizar a parceria UE-UA tendo em conta os novos desafios globais, foi já antecipado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, por ocasião da sua visita na semana passada ao Senegal (país que preside actualmente à União Africana): um plano de investimentos para África que mobilizará cerca de 150 mil milhões de euros ao longo dos próximos sete anos.

Este é o primeiro plano regional no quadro da nova estratégia de investimento da União Europeia, a ‘Global Gateway’, entendida como uma resposta à “Nova Rota da Seda” – projecto que a China tem já em curso à escala mundial.

A VI cimeira UE-UA tem início hoje às 14:15 locais (12:15 de Cabo Verde), e, após uma cerimónia de abertura em sessão plenária, decorrerá a primeira série de mesas-redondas – fechadas à imprensa -, até ao jantar dos chefes de Estado e de Governo, num museu de Bruxelas.

Na sexta-feira, as discussões temáticas terão início às 08:00 de Cabo Verde, 09 horas na Guiné-Bissaua Guiné-Bissau e as 10H00 está prevista a cerimónia de encerramento da cimeira.

Antes da cimeira, terá então lugar hoje, a partir das 12:30 locais, uma reunião informal dos chefes de Estado e de Governo da UE para discutir “os mais recentes desenvolvimentos” na crise entre Ucrânia e Rússia, numa altura em que o Ocidente recebe com cepticismo os anúncios de Moscovo de retirada de tropas, dado não estar a observar tal no terreno. ANG/Inforpress/Lusa

 

 

Tentativa de golpe de Estado/Líder do PAIGC quer peritos internacionais nos inquéritos ao ataque ao palácio do Governo

Bissau,17 Fev 22(ANG) - O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, Domingos Simões Pereira, defendeu a presença de peritos internacionais no inquérito “ao que realmente se passou” no ataque ao Palácio do Governo.

Em entrevista à Agência Lusa e à RFI, Domingos Simões Pereira sugeriu a presença de elementos da DEA, agência norte-americana de combate ao tráfico de droga, e da Polícia Judiciária portuguesa, salientando que aquelas entidades sempre apoiaram as autoridades do país no combate ao narcotráfico.

A sugestão do líder do PAIGC, segundo o próprio, vai ao encontro do facto de as autoridades guineenses estarem a relacionar o ataque ao Palácio do Governo com “ajustes de contas entre narcotraficantes”.

“Ora, quando envolve droga nós sabemos que as várias instâncias do nosso poder judicial têm recebido reforço de capacidade, não só de estruturas internacionais, nomeadamente da DEA como da Polícia Judiciária portuguesa e de outras instituições. Se nós recebemos reforço de capacidade em assuntos de menor porte, por que não se justifica envolver essas entidades em algo que pôs em causa vidas humanas”, questionou o líder do PAIGC.

O antigo primeiro-ministro guineense disse que “continuam confusas” e “até contraditórias” as explicações que têm sido dadas pelas autoridades guineenses quanto aos envolvidos nos ataques, nomeadamente a alegada presença de rebeldes senegaleses do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC).

Estanho ainda para Domingos Simões Pereira é o facto de o porta-voz do Governo, Fernando Vaz, ter começado por citar nomes de alguns oficiais militares como estando envolvidos nos ataques, para horas depois desmentir-se a si mesmo.

Para o líder do PAIGC também é estranha a nomeação de um novo diretor da Polícia Judiciária.

Domingos Simões Pereira afirmou que na sua opinião “há muitas pontas soltas e que não se alinham” nas informações que têm sido prestadas ao público pelas autoridades guineenses, esperando que no futuro as informações públicas sejam mais credíveis.

“O que eu estou a dizer é que estamos a tratar de um assunto de extrema importância, de extraordinária importância e o mínimo que podíamos sugerir, aguardar ou exigir é que seja uma comissão credível, responsável, competente e que tenha como um dos pressupostos que traga elementos palpáveis que permita a todo o mundo avaliar”, defendeu.

Questionado sobre o adiamento do Congresso do PAIGC, previsto para 17 e 18 de fevereiro, Simões Pereira referiu que o partido se alinha “com a ordem”, mas considerou que o decreto do Governo que proíbe reuniões políticas devido à covid-19 “foi feito, exclusivamente para comprometer a realização do congresso do PAIGC”.

“O estado de alerta já existia quando o PTG (Partido dos Trabalhadores Guineenses) fez o seu congresso, já existia quando o PRS (Partido da Renovação Social) fez o seu congresso, já existia quando se fizeram visitas ao interior, a presidência aberta e outras concentrações de pessoas”, acrescentou.

Referindo que o congresso foi adiado para depois da vigência do decreto do estado de alerta, 05 de março, o presidente do PAIGC pediu, no entanto, “àqueles que detêm poder para que cinjam a sua atuação dentro dos ditames da lei”.

No dia 01 de fevereiro, homens armados atacaram o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam, e de que resultaram oito mortos.

O Presidente guineense considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado e apontou o ex-chefe da Marinha José Américo Bubo Na Tchuto, Tchamy Yala, também ex-oficial, e Papis Djemé como os principais responsáveis.

Os três homens foram presos em abril de 2013 por agentes da agência antidrogas norte-americana (DEA) a bordo de um barco em águas internacionais na costa da África Ocidental e cumpriram pena de prisão nos Estados Unidos.

Os três alegados responsáveis pela tentativa de golpe de Estado foram detidos, segundo o Presidente guineense. ANG/Lusa 

 

Paris/França e parceiros anunciam retirada “coordenada” das suas tropas do Mali

Bissau,  17 Fev 22(ANG) – A França, ao lado dos seus parceiros europeus e africanos, anunciou hoje a retirada “coordenada” das tropas do Mali devido “a múltiplas obstruções das autoridades de transição malianas”, prosseguindo o combate ao terrorismo nos países vizinhos.

“Devido às múltiplas obstruções das autoridades de transição malianas, o Canadá e os Estados europeus que operam ao lado da operação Barkhane e no seio da operação Takuba consideram que as condições políticas, operacionais e jurídicas não estão reunidas para continuar o actual compromisso militar”, pode ler-se numa declaração conjunta enviada hoje pelo Palácio do Eliseu às redacções.

Esta manhã, o Presidente da República francês, Emmanuel Mácron, vai falar ao lado dos parceiros europeus e africanos para detalhar as razões desta retirada decidida definitivamente num jantar de trabalho no Palácio do Eliseu, que aconteceu na noite de quarta-feira e onde participou o primeiro-ministro português, António Costa.

A luta pelo combate ao terrorismo vai prosseguir no Sahel, ainda segundo a declaração conjunta também assinada por Portugal, com acções “no Níger e no Golfo da Guiné”, estando a ser levadas a cabo consultas locais para chegar aos termos de entendimento sobre uma nova missão até Junho de 2022.

A França possui uma das suas maiores operações militares no Mali desde 2013, com a operação Barkhane a envolver actualmente cerca de 4.300 efectivos no Sahel e cerca de 2.500 estão no Mali. Esta não é a única força estrangeira no país, com um total de 25 mil soldados estrangeiros com diferentes mandatos a actuarem no Sahel.

Portugal está presente com cerca de duas dezenas de militares na operação da força especial europeia Takuba, ao lado de outros parceiros como Alemanha, Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estónia, Grécia, Itália, Noruega, Holanda, Roménia, Reino Unido e Suécia. ANG/Inforpress/Lusa


                   Cultura/Mû Mbana levou a música dos Bijagós a Paris

Bissau, 17 Fev 22 (ANG) -  O músico Mû Mbana foi um dos artistas lusófonos a subir ao palco do Thêatre du Châtelet, em Paris, este domingo, e transformou a sala num espaço de poesia e murmúrio, de contemplação e espanto.

O cantor, poeta, compositor e multi-instrumentista apresentou canções do seu trabalho "mais guineense": INÊN. Estava simplesmente acompanhado pelos sons do simbi, bënsuni e tonkorongh, instrumentos que ele resgatou de séculos passados e que fazem agora parte da sua história. Essa história começou quando era muito menino, com apenas três ou quatro anos. Era uma vez… 

RFI: A primeira frase da sua biografia na sua página web explica: “Tudo começou quando tinha três anos: antes das notícias da rádio, punham uma música de balafon que me fazia dançar”… Foi mesmo assim que tudo começou?

Mû Mbana, Músico: Começou comigo e a minha família a darmo-nos conta que eu tinha uma certa conexão com a música porque eu era pequeno e cada vez que soava essa sintonia eu dançava. A minha família ria-se. Era engraçado, era um miúdo de três ou quatro anos a curtir com uma música que é uma sinfonia que se põe antes das notícias. Do meu despertar interno e externo quanto à minha conexão com a música, acho que esta é a memória mais antiga, a primeira que tenho.

Nasceu na ilha de Bolama, nos Bijagós, cresceu num mundo pleno de música, mas foi para a Europa para estudar arte em Portugal e acabou por formar-se na música, de forma académica, em Barcelona… Conte-nos um pouco destas escolhas….

Fui da Guiné para Lisboa, morei em Portugal vários anos e estudei um pouco a construção civil, o desenho técnico da arquitectura e depois decidi estudar música. Estive a ponto de ir para o Hot Club de Jazz, em Lisboa, mas afinal foi para o Taller de Músics de Barcelona para estudar Harmonia Moderna, linguagem musical e tudo isso. Tinha necessidade de ter ferramentas a nível de composição para poder ampliar a minha capacidade como compositor.

Pelo caminho, fez 20 anos de pesquisa só para resgatar instrumentos tradicionais da Guiné-Bissau, algo que transpôs para a sua música. A sua música é uma fusão das sonoridades do passado com as novas tendências?

É mesmo assim. Toco esses instrumentos, o simbi, bënsuni, tonkorongh , e toco a minha música actual, uma música que eu incarno agora, neste momento, como alguém que vive no tempo presente. Eu sinto-me confortável sendo o que sou no momento presente. Isso não me impede de recuar no tempo e interpretar músicas tradicionais – música antiga da Guiné ou da África Ocidental de compositores clássicos, antigos mesmo. Mas as minhas composições refletem tudo o que eu adquiri até aqui, até hoje. Evidentemente quem ouve vai ouvir música de um músico africano da Guiné, mas vai notar que esse músico talvez tenha vivido uma experiência um pouco mais ampla do que simplesmente um músico que toca música tradicional da Guiné e instrumentos tradicionais com aquela linguagem estritamente tradicional.

Falou-me dos instrumentos tradicionais, vemos aqui o simbi, o bënsuni e o tonkorongh. Que instrumentos são estes?

Esse simbi que está aí é um simbi do povo balanta – porque há vários simbis. É um instrumento grande que só se pode tocar sentado e é para acompanhar a voz, para acompanhar a dança, para acompanhar histórias. É o meu instrumento, para mim é o instrumento de cordas com o qual me conecto mais para acompanhar a minha voz. São instrumentos antigos, muito antigos. Aqui na Europa quando falam de música antiga pensam no Barroco. Nós, quando falamos de música antiga, pensamos no Egipto antigo, ou seja, estamos a falar cinco mil anos, seis, sete, dez…porque esses instrumentos estão gravados nas pedras de Gizé e de Assuã e todos os lugares onde o nosso povo viveu e construiu civilizações antigas.

São instrumentos que contam muitas histórias. E que histórias é que você conta nas suas músicas? São histórias poéticas, são histórias de vida, são histórias políticas, são reivindicações?

Hؘá tudo isso e mais. Há histórias do dia-a-dia, comuns, como uma mulher casada, uma dona de família, uma matriarca que a certa altura da sua vida tem um amante e fala dessa vivência. Histórias também de alguém que se procura fora de si até uma certa altura dar-se conta que fora não encontra o que realmente está à procura e tem que voltar a olhar para dentro e buscar dentro de si porque é o caminho mais perto, afinal, para se encontrar. Todas essas histórias acontecem nas minhas músicas. Evidentemente que também tem histórias de amor e observações de beleza do que existe. Há questões existenciais também, postas na primeira pessoa, mas também um convite à reflexão conjunta. Há muitas questões, há muitas histórias contadas no que eu canto.

Editou vários discos, o INÊN será talvez o mais guineense dos seus discos?

Exactamente. Eu voltei à Guiné [para o fazer] e foi o meu décimo disco - INÊN quer dizer dez, mas também quer dizer mãos porque era uma reflexão também sobre o poder transformador das mãos. Tudo o que concebemos, as mãos acabam por materializar e executar. Foi o meu primeiro disco apresentado na Guiné. Primeiro fiz uma apresentação oficial do INÊN na Guiné-Bissau e depois no resto do mundo.

 

Há outro disco que nos faz viajar muito até à Guiné-Bissau, o Nô Tchon…

É muito guineense esse disco, mesmo tendo músicos de jazz à volta, o grande contrabaixista Javier Colina e o flautista Juan Carlos Aracil. É um disco muito guineense, muito, muito mesmo na sua essência. É o mais recente publicado, mas tenho agora vários discos acabados mas ainda não publicados.

Então, o que vamos ter em breve?

Tenho uma trilogia, um disco em três volumes gravado em Dezembro de 2019 em São Paulo. Tenho um outro disco gravado com o Mauricio Caruso, um guitarrista de São Paulo que mora em Santiago de Compostela e tenho dois discos meus a solo que também estão prontos. Tenho ainda um outro disco de música electrónica, com o DJ Panko que está pronto. Estou com cinco discos nas mãos por lançar.

Um disco electrónico vai então aliar um ritmo altamente contemporâneo a um ritmo altamente ancestral, um pouco como os Tinariwen. Como é que fez essa aliança?

É uma aliança fácil de fazer. O electrónico tem todo esse leque de sons que, a priori, parecem estranhos, mas todos esses sons já existem na natureza e há muitos instrumentos que fazem esses sons, só que quando é expressado de forma sintética parece novo. É um casamento muito interessante, esse casamento entre voz humana com sons electrónicos. Eu e o DJ Panko entrámos nessa viagem e estamos nela já há muitos anos, só agora é que decidimos tirar um disco.  

Na sua música, temos as cordas dos instrumentos tradicionais, temos a sua poesia, temos a sua voz, temos uma componente muito melódica. Como é que o Mû Mbana descreve a sua música?

Eu não sou a pessoa indicada para descrever a minha música. Eu faço a música, eu vivo a minha música, mas muito poucas vezes oiço a minha música. Eu oiço a minha música só quando estiver metido numa produção e a trabalhar numa produção. Depois disso, fico tão exausto e cansado que já não consigo nem ouvir. Preciso de uma distância de mais de dez anos para ouvir a minha música e ficar tranquilo, sem a julgar, e só a ouvir como um ouvinte, como quem ouve a música para viajar com ela. Mas estou consciente que tento sempre estar presente, não consigo tocar uma música só porque ela soa bem e as pessoas gostam. Se eu nesse momento não estiver a sentir essa vibração que essa música transmite, não toco. Tenho que viver aquilo, aquilo tem que fazer vibrar as minhas células todas, senão não a consigo incarnar. Se eu não estiver pronto para chorar uma música ou rir uma música, não a posso cantar só porque é bonita ou porque as pessoas gostam ou porque teve êxito.

A sua música, como disse, está muito ancorada aos sentimentos, às sensações, mas também está muito agarrada à terra. Ela comporta alguma mensagem política também?

Comporta muitas vezes.

Neste momento, a Guiné-Bissau está a viver novamente uma situação muito delicada. Está preocupado?

Evidentemente que estou preocupado. Eu cheguei há nove dias da Guiné-Bissau. Quando houve isso, eu estava lá, estava no meio da cidade a circular. Estou preocupado evidentemente. O problema político da Guiné e o que se deu lá agora há uma semana é só um reflexo da grande crise que a Humanidade vive actualmente – quando falo actualmente, temos de recuar bastante até aqui, não é actualmente hoje neste ano de 2022, falo de há 50 anos para trás, como observador da história, falo de tudo isso. Andamos numa crise profunda, existencial, a humanidade inteira. Todos os Presidentes da República que temos actualmente, com excepção de um ou dois, são empregados de multinacionais que estão a cumprir serviço e são marionetas. Portanto, a crise pela qual passa a humanidade actualmente é algo de muito mais profundo. O golpe na Guiné é uma coisa muito superficial e não pode ser visto como a parte mais grave do problema guineense, o problema guineense é uma coisa muito mais profunda.

O que significa para si apresentar o seu trabalho em Paris?

É a primeira vez que venho a Paris tocar e defender um projecto meu. Já estive duas vezes anteriores que vim para uma gravação de um disco do Silvano Miquelino que é um produtor brasileiro e percussionista e outra vez vim para a homenagem do Rémy Kolpa Kopoul, da Radio Nova, no Cabaret Sauvage, éramos muitos artistas. Esta é a terceira vez e é a vez em que venho realmente mostrar o meu trabalho à cidade de Paris, ao público francês e habitantes de Paris e é muito importante para mim. Aliás, é de extrema importância para mim porque eu estou consciente que Paris é a meca para a música africana em geral, para a arte africana em geral e para a arte em geral.

Participa no Théâtre du Châtelet no evento chamado “Mosaïque de Voix Lusophones”. Em França, quando se fala em lusofonia, muita gente franze o sobrolho porque não conhecem a palavra. Para si é importante alargar a Temporada Portugal-França à lusofonia?

Eu acho muito importante até porque a língua oficial da Guiné é o português, em Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Brasil também. E nós que herdámos o português ainda trabalhamos com a língua portuguesa, temos uma relação com a língua portuguesa que não se pode negar mesmo não sendo portugueses. Eu próprio às vezes levanto-me e escrevo em português, mesmo não sendo a minha língua principal com a que penso e sonho e murmuro dentro de mim.

Mas faço muita coisa em português, trabalhei muito para a língua portuguesa. Fiz um disco inteiro que se chama Casa Lua que é uma homenagem a uma poetisa alentejana que mora em Lisboa que é a Ana Patrício e esse disco ainda permanece oculto para o público português. Fazemos muito pelo desenvolvimento da língua portuguesa e pela expansão da língua portuguesa. Somos parte dessa expansão porque o português foi até à Guiné e devido a isso nós entrámos nesse universo lusófono. Então é importante que os eventos culturais que tenham a ver com a lusofonia nos tenham em conta, mesmo que depois nesses eventos nós não façamos nada em português. Mas que não nos excluam porque ainda somos parte do universo lusófono. ANG/RFI

 

 

           Brasil/Cidade  de Petrópolis contabiliza 78 mortes devido à chuva

 Bissau, 17 Fev 22(ANG) – Petrópolis, uma cidade localizada na região serrana do estado brasileiro do Rio de Janeiro, registou pelo menos 78 mortes em razão das fortes chuvas que atingiram seu território desde a noite de terça-feira, informou hoje o governador, Cláudio Castro.

O balanço de mortos já aumentou várias vezes e ainda deverá ser actualizado já que o número de desaparecidos na localidade, de 300 mil habitantes, localizada 60 quilómetros da cidade do Rio de Janeiro, ainda não foi apurado pelo Corpo de Bombeiros.

Além disso, as autoridades confirmam que ao menos 21 pessoas foram resgatadas com vida.

Segundo a agência meteorológica MetSul, Petrópolis recebeu mais chuva em poucas horas na noite de terça-feira do que a média de um mês inteiro de Fevereiro.

Ao menos 54 casas foram destruídas pelas chuvas e 377 pessoas foram acolhidas em abrigos improvisados.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que tem acompanhado os trabalhos das equipas nos locais onde ocorreram desabamentos e cheias causados pela enxurrada que atingiu a cidade, disse que a situação que tem encontrado é “quase que de guerra”.

Castro esteve no Morro da Oficina, onde os desabamentos causaram várias vítimas.

Sobre o trabalho de resgate, o secretário do estado de Defesa Civil, Leandro Monteiro, afirmou que “há uma grande equipa concentrada no Morro da Oficina”, onde as autoridades acreditam que existe “o maior número de vítimas ainda soterradas”.

“Estamos com 400 militares mobilizados e actuando em 44 pontos atingidos pelo temporal. Montámos um hospital de campanha com 10 leitos [camas], onde as vítimas recebem o primeiro atendimento”, disse.

Para a cidade foram mobilizados 20 camiões, 20 retroescavadoras, 10 escavadeiras hidráulicas e 10 camiões-cisterna, além de veículos com medicamentos e ambulâncias.

A prefeitura de Petrópolis decretou “estado de calamidade” e luto de três dias.

De acordo com fontes oficiais, ocorreram pelo menos 189 deslizamentos de terras e 45 desabamentos ou quedas de muros e árvores foram notificados no distrito de Petrópolis.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram carros sendo arrastados pela correnteza e grandes deslizamentos numa área da cidade chamada Morro da Oficina.

Esta não é a primeira vez que a região montanhosa do Rio de Janeiro foi atingida por fortes tempestades. Em 2011 ocorreu a maior tragédia meteorológica alguma vez registada no Brasil, quando as tempestades provocaram mais de 900 mortos e uma centena de desaparecidos na região.

ANG/Inforpress/Lusa

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Dia do professor/ SINAPROF qualificou de “humilhante” o exercício da carreira do professor no país

Bissau, 16 Fev 22 (ANG) – O Sindicato Nacional dos Professores (SINAPROF), qualificou de “humilhante”, hoje em dia, o exerccio da carreira do professor na Guiné-Bissau.

Em nota à imprensa enviada hoje à ANG, por ocasião da celebração do Dia do Professor guineense que se assinala na quinta-feira, dia 17 de Fevereiro, o Sinaprof critica que a data ficou na história e que hoje em dia, o professor guineense é menosprezado e muitas das vezes humilhado no exercício da sua função, abnegado o gozo dos seus direitos pelos sucessivos governos  deste País.

Contudo, o SINAPROF diz na nota que está empenhado no preparativo do VI˚ Congresso Ordinário, previsto para dia 5 de Março do ano em curso e que ,por essa razão, dirige uma mensagem de encorajamento aos seus associados professores e professoras guineenses, espalhados em diferentes regiões, sectores e secções administrativas do País, no quadro da comemoração da data consagrada à classe docente.

Na nota, o sindicato refere que, contudo, a luta continua e continuará até que o professor guineense se sinta dignificado no desempenho da sua “delicada e nobre” missão que é ensinar e educar.

Acrescenta que,  para isso, é necessário que haja a unidade e solidariedade dentro da classe, a nível nacional, em torno das práticas e atividades levadas a cabo pela  organização sindical da classe.

De acordo com o comunicado, o dia 17 de Fevereiro é  uma data histórica e que remonta do ano 1964, relacionada com a história da luta pela Independência da Guiné-Bissau. ANG/MI/ÂC//SG


Tentativa de golpe de Estado
/ CEMGFA diz que o objectivo seria  “desestabilizar o país”

Bissau, 16 Fev 22 (ANG) – O chefe de Estado-maior General das Foças Armadas, Biague Na Ntan afirmou, terça-feira, que os implicados na tentativa de golpe de Estado de 01 de Fevereiro são as mesmas pessoas que, há pouco  tempo, haviam tentado levar a cabo um golpe militar.

“Prendemos-lhes e entregamos ao tribunal mas o tribunal mandou libertá-los, com alegações de que não houve tentativa.”, revelou à imprensa Na Ntan, que se  encontrava ausente, em tratamento médico no estrangeiro, na altura em que ocorreu a tentiva que resultou na  morte de oito pessoas entre militares, paramilitares e civis.

Acrescentou que a tese para a libertação do grupo ainda se baseou no facto de os implicados não terem morto o chefe de Estado-maior General das Forças armadas.

Segundo Biague Na Ntan, a tentativa de 01 de Fevereiro tinha como objectivo “desestabilizar” o país.

Um grupo de militares e para-militares atacou o Palácio do Governo no passado 01 de fevereiro, numa altura em que decorria um Conselho de Ministros com a participação do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló.

Passado cinco horas de tiroteios, segundo o chefe de Estado, a situação voltou ao controlo das forças da ordem.

Para melhor esclarecimento do ocorrido,  o Governo criou uma comissão interministerial que procede aos inquéritos visando a identificação  e responsabilização criminal dos autores morais e materiais da alegada tentativa de golpe de Estado, que segundo Umaro Sissoco Embaló contou com a participação do antigo chefe da Armada Guineense, José Américo Bubo Nachuto, julgado nos Estados Unidos de América por tráfico de drogas.

Para além de Bubo, outros dois nomes, igualmente julgados nos EUA por tráfico de drogas foram acusados de participação na intentona de Fevereiro, pelo Presidente Sissoco Embaló.

Internamente, e na sequência da alegada tentativa de golpe de Estado as forças militares levam a cabo buscas de armas nas residências de particulares, havendo informações de que já se registaram várias detenções de cívis e militares, em diferentes prisões de Bissau. ANG//SG

 

 

  Transportes terrestres/Sete entroncamentos de Bissau terão  novos semáforos

Bissau,16 Fev 22(ANG) – Sete entroncamentos da capital Bissau serão abrangidos com a colocação de novos semáforos, projecto a ser edificado pela empresa Marfinense denominada ASK-Group.

De acordo com o Parecer Técnico da Direcção Geral de Viação e Transportes Terrestres à que a ANG teve acesso hoje, os  grandes entroncamentos que terão novos semáforos são  a Rotunda dos Combatentes da Liberdade da Pátria e do Bairro de Ajuda.

A nota refere ainda que, os Pequenos entroncamentos de Bissau a beneficiar do semáforos, são Antiga Cala-Boca, Quelelé, Nhonhô, Cruzamento de Háfia e de GSM-QG.

O referido Parecer Técnico indica que os semáforos que tinham sido instalados nos Grandes Entroncamentos de Bissau e que se encontram avariados, nomeadamente na Mãe de Água, Chapa de Bissau, Hotel Ledger, Guimetal e Aeroporto, serão recuperados.

O acordo para o efeito foi rubricado terça-feira pelo Governo, atravês do ministros dos Transportes e Comunicações e a empresa costa-marfinense ASK-Group. ANG/ÂC//SG

 

 

UE/África/Von der Leyen quer avançar com “investimento substancial” em África na cimeira

Bissau, 16 Fev 22(ANG) – A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse hoje ambicionar um acordo sobre “investimento substancial” em África durante a cimeira da União Europeia (UE) com União Africana (UA) em Bruxelas, para inverter os “danos da covid-19”.

“Na cimeira, iremos discutir um investimento substancial para inverter os danos da covid-19 e para dar aos jovens africanos a educação que merecem. 2022 é o Ano Europeu da Juventude e, por isso, trabalhemos em conjunto para que o seja também para os africanos”, afirmou Ursula von der Leyen.

Intervindo por videoconferência no 7º Fórum Empresarial UE-África 2022, um dia antes de os dirigentes da União Europeia e da UA, bem como dos respectivos Estados-membros, se reunirem em Bruxelas para a sexta cimeira conjunta, a líder do executivo comunitário disse esperar que o encontro de alto nível permita “criar novas ligações entre os povos para apoiar a África e para a Europa a curar e recuperar”.

“E, após a cimeira, caberá aos povos africano e europeu tirar o máximo partido destas novas ligações”, acrescentou.

Relativamente à pandemia, e um dia após o anúncio de doação de 100 milhões de euros às entidades reguladoras africanas de medicamentos para melhorar a segurança sanitária, Ursula von der Leyen apontou que a medida irá permite ao continente africano “produzir os seus próprios produtos farmacêuticos”.

“E este esforço só será bem sucedido se tanto o sector público como o privado do país, por exemplo melhorando a regulamentação e os sistemas de saúde, mas também transferindo tecnologia médica e, claro, abrindo instalações em África”, elencou.

Até agora, Bruxelas já mobilizou cerca de três mil milhões de euros para o mecanismo de acesso a vacinas anticovid-19, Covax, o equivalente a cerca de 400 milhões de doses.

A UE é também uma das maiores doadoras de vacinas a África, tendo mobilizado, juntamente com os Estados-membros, mais de 130 milhões de doses para os países africanos e intensificado o apoio à administração de vacinas.

“O nosso objectivo é levar este número a mais de 450 milhões de doses de vacinas doadas até ao verão. Penso que partilhar vacinas é sinal de nos preocupamos e partilhar tecnologias e capacidades é ainda mais importante”, salientou Ursula von der Leyen.

Também intervindo por videoconferência na sessão, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, apontou que, devido à pandemia, “o crescimento económico em África foi afectado e o crescimento económico foi prejudicado”, com 39 milhões de cidadãos em risco da pobreza extrema.

“Espero que o crescimento prossiga, com o apoio da comunidade internacional para esse efeito”, acrescentou Moussa Faki Mahamat, esperando ainda “parcerias sólidas entre os governos para promover uma retoma económica forte” em África, nomeadamente com a UE, que é “uma das principais fontes de investimento externo e o primeiro destino das exportações africanas”.

Segundo o responsável africano, os investimentos europeus em África ascendem a 30 mil milhões de dólares por ano (cerca de 26 mil milhões de euros), mas esta verba “está longe das expectativas e necessidades” dos países.

O encontro diplomático de alto nível, que se realiza na quinta-feira e na sexta-feira em Bruxelas, visa estabelecer as bases de uma parceria UA-UE renovada e aprofundada, esperando-se desde logo um pacote de investimento África-Europa, tendo em conta desafios como as alterações climáticas e a crise sanitária da covid-19.

Em discussão estarão ainda questões como a estabilidade e a segurança.

ANG/Inforpress/Lusa

Ensino/Administrador da Escola “Amizade Guiné-Bissau/Suécia”  pede apoios para  restauração deste estabelecimento

Bissau, 16 Fev 22 (ANG) – O Administrador da Escola “Amizade Guiné-Bissau Suécia” vulgo Peré, lamentou hoje as dificuldades que aquela instituição educativa enfrenta, tendo pedido apoios e mais atenção por parte, sobretudo do Ministério da Educação, pais e encarregados de educação e de moradores.

Eusébio Mendes, numa entrevista exclusiva à ANG, sobre a situação da escola e dos planos para o seu melhoramento,disse que, apesar da escola já ter iniciado  o presente ano lectivo, em Outubro, por ser uma entidade com gestão participativa, as dificuldades são enormes, e vão desde a electricidade que não chegam as turmas impossibilitando o funcionamento de curso noturno até a falta de equipamentos  para gabinete do diretcor. .

Mendes, antigo director da instituição e que agora ocupa o cargo de administrador salientou que estão a trabalhar numa situação précaria, tendo pedido apoio para que a Escola Peré volte a ser o que era nos anos 70, tendo lamentado o término da cooperação com a Suécia.

Aquele responsável frisou  que as deligências estão em curso por parte da instituição e que os parceiros diligenciam para que a parceria com os suecos possa voltar a funcionar.

Perguntado sobre as diligências que estão a fazer para ultrapassar as dificuldades existentes, Mendes disse que está em curso a elaboração de projecto para entregar aos parceiros, tendo lamentado que, por falta de fundos para pagamento de despacho de  cargas, a escola perdeu um apoio de Inglaterra que doou  materias para a  reabilitação total da escola.

Eusébio Mendes disse que a escola não tem segurança, pelo que fica a mercé dos malfeitores, principalmente, no periodo da noite.

Para a semana, segundo Mendes, a escola pode ficar  sem giz uma vez que só restou o stock de um pacote.

 A Escola Amizade Guiné-Bissau Suécia leciona de 1º à 9 º ano de escolaridade e, segundo o administrador, como sendo uma escola de administração partilhada, não tem greves por isso, sempre tem números de alunos consideravéis, e também por ser uma escola situada no meio do bairro de Chão de Papel/Varela.

A escola Amizade Guiné-Bissau/Suécia iniciou o seu funcionamento em 1976 lecionando o 5ª classe.ANG/MSC/ÂC//SG

Moscovo/Rússia anuncia fim das manobras na fronteira com a Ucrânia e regresso de militares aos quartéis

Bissau,  16 Fev 22(ANG) – A Rússia anunciou hoje o fim das manobras militares e a partida de algumas das suas forças da península da Crimeia anexada da Ucrânia, onde a presença de tropas alimentou os receios de uma invasão.

“As unidades do distrito militar do sul que completaram os seus exercícios tácticos nas bases da península da Crimeia estão a regressar por via ferroviária às suas bases de origem”, disse o Ministério da Defesa russo, citado pelas agências russas.

A televisão russa mostrou imagens nocturnas de um comboio que transportava blindados através da ponte sobre o Estreito de Kertsch, construído a grande custo pela Rússia para ligar a Crimeia ao território russo.

Na terça-feira, Moscovo anunciou uma retirada “parcial” dos seus soldados destacados durante semanas nas fronteiras da Ucrânia, um sinal de desescalada após dois meses em que se receou uma invasão iminente, tendo como pano de fundo a crise russo-ocidental.

Europeus e norte-americanos continuam à espera de provas de uma importante retirada militar russa, mas estão cautelosamente optimistas. A Rússia não especificou a extensão ou o calendário da retirada.

De acordo com o Ocidente, mais de 100.000 soldados estão destacados nas fronteiras da Ucrânia com muito equipamento pesado. E as principais manobras russo-bielorrussas prosseguem até 20 de Fevereiro na Bielorrússia, o vizinho pró-russo da Ucrânia.

Os ministros da Defesa da NATO reúnem-se entre hoje e quinta-feira, em Bruxelas. O secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, comentou na terça-feira que os mais recentes “sinais” vindos de Moscovo permitem um “optimismo cauteloso”, mas sublinhou que não se vê ainda uma diminuição da escalada no terreno.

Stoltenberg falava numa conferência de imprensa no quartel-general da NATO, em Bruxelas, de projecção de uma reunião de ministros da Defesa da organização que decorre entre hoje e quinta-feira, e na qual Portugal estará representado pelo ministro da Defesa, João Gomes Cravinho.

Apontando que os ministros da Defesa dos Aliados terão ao longo dos dois dias de reunião a oportunidade de discutir aquela que é “a maior ameaça à segurança europeia das últimas décadas” – incluindo uma discussão, na quinta-feira, com o seu homólogo ucraniano -, Stoltenberg disse esperar que seja possível avaliar “se há sinais”, no terreno, de um efectivo desanuviamento ou não.

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou, na véspera da reunião ministerial da NATO, que algumas das unidades que tinham sido enviadas para próximo das fronteiras da Ucrânia iam regressar aos quartéis de origem por terem terminado os exercícios militares em que estiveram envolvidas.

O Ocidente acusou a Rússia de ter concentrado mais de 100.000 tropas nas fronteiras da Ucrânia para invadir novamente o país vizinho, depois de ter anexado a península ucraniana da Crimeia em 2014.

A Rússia negou sempre o desejo de guerra, mas exigiu garantias para a sua segurança, incluindo uma promessa de que a Ucrânia nunca será membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Esta exigência foi rejeitada pelo Ocidente, que propôs em troca conversações sobre outros assuntos de segurança, como o controlo de armas ou visitas recíprocas a infra-estruturas sensíveis. ANG/Inforpress/Lusa

 

Política/PAIGC condena  operações de buscas de armas e revistas nas casas das pessoas levadas a cabo pelas autoridades militares

Bissau, 16 Fev 22 (ANG) – O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), condenou, segunda-feira, as operações de buscas e revistas que diz ser “abusivas” nas casas das pessoas, desencadeadas pelas autoridade militares e paramilitares no âmbito de uma alegada campanha de apreensão de armas e de descoberta dos implicados na tentativa de golpe de Estado de 01 de Fevereiro.

Em comunicado à imprensa, produzido pelo Secretariado Nacional do partido, à que a Agência de Notícias da Guiné (ANG) teve hoje acesso, o PAIGC critica que as denuncias sobre essas operações  ocorrerem num contexto em que mais uma vez, o Regime viola flagrantemente os direitos dos cidadãos consagrados nas Leis da República.

“Neste caso em concreto, o direito a privacidade e inviolabilidade de domicílio. Consta que as aludidas operações são feitas sem uma notificação prévia, e além de serem realizadas em horários impróprios, com todos os inconvenientes”, lê-se no comunicado.

Diz o partido liderado por Domingos Simões Pereira que as respectivas buscas e revistas perpetuadas pelo “actual Regime” são coincidentes com a vaga de detenções, intimidações e perseguições, num cenário que se assemelha ao “Estado de sítio ou de terror”.

Acrescenta que  o PAIGC tem sido um dos alvos da “saga de violências físicas e psicológica”,  com o bloqueio do recinto que dá acesso a alçada principal da Sede do Partido.

O partido denuncia mo comunicado  que alguns dirigentes e militantes  estão a ser coagidos e violentados  de forma selectiva.

Sem indicar os nomes ou o número, o PAIGC diz ainda que seus dirigentes estão a ser objectos de  intimidações, perseguições e detenções, sem observância dos preceitos legais, e com violações a diversos níveis, incluindo os prazos e as formalidades estabelecidos por lei.

“Reiteirar as condenações do PAIGC as tentativas do Regime em tentar, a todo o custo, abstruir a realização do Xº Congresso do Partido, na base de manobras dilatórias, expressas na tomada de medidas tendenciosas, abusivas e ilegais que põem em causa o sentido abstracto das leis”, descreve o comunicado.

O partido exige  explicações do “actual Regime”, quanto ao bloqueio dos acessos de entrada à Sede do PAIGC.

AS autoridades militares e paramlitares levam a cabo operações de busca de armas nas residiências e de descoberta de eventuais implicados na tentativa de golpe de Estado, ocorrida no passado dia 01 de Fevereiro.

Notícias veiculadas nas redes sociais, ainda por confirmar, indicam que vários cidadãos militares, paramilitares e civis  se encontram encarcerrados, em Bissau, na sequência dessas buscas , a noite.NG/LLA/ÂC//SG    

  UE-África/Cimeira com elevado nível de participantes e PALOP todos presentes

Bissau, 16 Fev 22(ANG) – A VI cimeira UE-África, que se realiza quinta e sexta-feira em Bruxelas, deverá contar com um nível de participação extremamente elevado, incluindo todos os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), indicaram fontes diplomáticas.

Numa altura em que se ultimam os preparativos para aquela que é a primeira cimeira entre União Europeia (UE) e União Africana (UA) desde 2017, fontes diplomáticas europeias adiantaram hoje que são esperados em Bruxelas os chefes de Estado e/ou de Governo da generalidade dos Estados-membros de ambas as organizações, com excepção dos quatro países actualmente suspensos pela UA devido a golpes de Estado (Burkina Faso, Mali, Sudão e Guiné-Conacri) e, eventualmente, uma ou outra ausência de última hora.

Os PALOP deverão estar todos representados ao mais alto nível na cimeira de Bruxelas, tendo as mesmas fontes indicado que são esperados os chefes de Estado de Moçambique, Guiné-Bissau,  São Tomé e Príncipe, e o vice-presidente da República de Angola. Cabo Verde será representado pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

Portugal estará representado pelo primeiro-ministro, António Costa, que participará em duas das sete mesas-redondas temáticas que serão organizadas ao longo dos dois dias da cimeira, além das cerimónias de abertura e de encerramento, que contarão com o conjunto de líderes.

Num figurino inédito, grande parte dos trabalhos da cimeira será repartida entre sete mesas-redondas temáticas, co-presididas por dois chefes de Estado europeus e outros tantos africanos, em vários casos com convidados externos de outras organizações e sociedade civil.

Os temas em debate são “financiamento para o crescimento sustentável e inclusivo”, “alterações climáticas e transição energética, digital e transportes”, “paz, segurança e governação”, “apoio ao sector privado e integração económica”, “educação, cultura, formação profissional, migração e mobilidade”, “agricultura e desenvolvimento sustentável” e “sistemas de saúde e produção de vacinas”.

De acordo com uma nota divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro, António Costa começará por intervir, na quarta-feira, na mesa consagrada ao tema “paz, segurança e governança”, na qual estarão igualmente presentes o Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josep Borrell, e o Comissário de Assuntos Políticos, Paz e Segurança da UA, Bankole Adeoye.

Na quinta-feira, o chefe de Governo português co-presidirá à mesa-redonda consagrada à educação e migrações, na qual participarão, como oradores externos, o director-geral da Organização Internacional para Migrações (OIM), António Vitorino, e a secretária-geral da Organização Internacional da Francofonia, Louise Mushikiwabo.

A VI cimeira UE-África estava originalmente marcada para 2020, mas foi sendo sucessivamente adiada devido à pandemia de covid-19, que impediu designadamente que ocorresse durante a presidência portuguesa do Conselho da UE no primeiro semestre de 2021.

A iniciativa terá então finalmente lugar esta semana em Bruxelas, e com ‘casa cheia’, o que levou a organização a restringir a um nível sem precedentes a dimensão das delegações, face à situação sanitária ainda instável.

ANG/Inforpress/Lusa

 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

  Prevenção contra coronavirus

No plano individual deve-se  manter o distanciamento físico, usar  uma máscara,  lavar as mãos  regularmente e tossir fora do alcance  dos outros. Façam  tudo isso!

A nossa mensagem às populações e aos governos é clara. Façam tudo isso!"

                                        ( Tedros Adhanom Ghebreyesus - DG da OMS)