Parlamento acusa serviços de informação de terem falhado
Bissau, 05 Jul 16 (ANG) – A Comissão parlamentar de inquérito aos atentados de 2015 culpa a grande máquina burocrática pelas falhas de informação e critica a eficácia do estado de emergência.

Há cinco meses que esta comissão de inquérito avalia a melhor maneira de reorganizar os serviços de informação franceses, uma grande máquina burocrática de diferentes agências e lideranças que muitos especialistas culpam pelas falhas que abriram caminho aos ataques contra o jornal satírio Charlie Hebdo e um supermercado kosher, em Janeiro, e à grande operação terrorista do grupo Estado Islâmico de Novembro em Paris, que matou 130 pessoas.
A avaliação terminou num relatório de 300 páginas, elaborado sobretudo através de entrevistas com quatro ministros e directores dos serviços de informação. Uma das suas propostas mais relevantes é a de deslocar a responsabilidade da luta antiterrorismo do Ministério do Interior para a jurisdição do primeiro-ministro, que se deve tornar o chefe de uma nova agência nacional que coordenará todos os outros órgãos.
“Face ao desafio do terrorismo internacional, é necessário haver ambições mais altas do que as postas em prática pelo Ministério do Interior”, lê-se no relatório, citado pelo Le Monde, argumentando que os ataques de Novembro revelaram não só a incapacidade de descobrir um atentado planeado no estrangeiro — neste caso, na Bélgica — mas também “uma falha dos serviços de informação interiores, visto que [os ataques] se produziram no nosso solo.”
O relatório ataca também uma das mais conhecidas disfuncionalidades dos serviços de informação franceses: a vastidão da base de dados de possíveis ameaças terroristas.
Sabe-se que quase todos os terroristas envolvidos nos ataques de Janeiro e Novembro eram já conhecidos das autoridades francesas e que o seu nome estava arquivado nas agora célebres “fichas S”, onde estão pessoas que se pensa que podem ser uma ameaça à segurança nacional.
Hoje existem mais de dez mil “fichas S” nas bases de dados dos serviços de informação franceses — num universo de 400 mil registos de outro tipo de ameaças — e nem todas podem ser consultadas pelos diferentes órgãos. “A comissão de inquérito passou por grandes dificuldades para obter o nome dos indivíduos investigados pelos diferentes serviços na luta antiterrorismo. A razão é simples: não existe um ficheiro consolidado”, explica o relatório.
Fora da organização dos serviços de informação, o relatório da comissão parlamentar de inquérito atinge também a decisão do Governo francês em prolongar o estado de emergência, ainda em vigor desde os atentados de Novembro. “O estado de emergência teve efeito, mas parece ter-se reduzido rapidamente”, argumenta o relator socialista Sébastien Pietrasanta.
ANG/Publico
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