sexta-feira, 2 de junho de 2017

Clima


Guiné-Bissau “preocupada” com anúncio da retirada dos EUA do acordo de Paris

Bissau, 02 Jun 17 (ANG) – O Director-Geral do Ambiente e ponto focal do país junto ao Secretariado da ONU para Mudanças Climáticas qualificou de “bastante preocupante” o recente anúncio do Presidente Donald Trump, sobre a retirada dos EUA do Acordo de Paris.

Viriato Luís Soares Cassama que reagia assim a decisão do Presidente norte-americano que classifica de “falsa questão” a problemática das mudanças climáticas no mundo, justificou dizendo que a América é um dos maiores financiadores do Fundo Verde do clima, pelo que teme que o fluxo deste apoio venha a escassear.

A Guiné-Bissau, com zona costeira baixa, ou seja, menos 5 metros do nível médio das águas do mar e, por isso mesmo, altamente vulnerável à subida da água, vê na adaptação a forma de enfrentar esse fenómeno, e para tal, necessita e depende muito das verbas provenientes do referido fundo, descreveu Viriato Cassamá.

“Enquanto pais em desenvolvimento, a Guiné-Bissau não possui capacidades técnicas e financeiras para fazer face as inclemências do clima”, observou lembrando que estas fragilidades poderão agravar-se ainda mais com a efectivação da saída dos norte-americanos do compromisso mundial assumido na convenção 21 da ONU realizada em 2015, em Paris.

Luís Soares Cassama receia pelos mais sombrios cenários que poderão resultar da posição de Trump numa altura em que, segundo estudos feitos, o mundo poderá registar uma subida de temperatura de 0,3 graus centígrados até ao final do século.

Ao assinarem o Acordo de Paris, os signatários se comprometeram também que , em caso de eventual retirada, o país proponente deve aguardar que passem três anos depois da entrada em vigor daquele instrumento mundial.

 Ou seja, a retirada dos EUA só será possível em finais de 2019, pois o acordo de Paris entrou em vigor em 4 de Novembro de 2016. “Isso depois de passar pelo Congresso e pelo Senado norte-americanos. E até lá tudo pode acontecer”, referiu.

Questionado sobre se não existe risco de outros países seguirem os EUA nesta sua posição e assim fazer desintegrar o compromisso de Paris, Viriato Luís Soares Cassama respondeu negativamente.

“Existe uma vontade política mundial para a aplicação do acordo de Paris”, disse acrescentando que apesar de tê-lo assinado, o parlamento da Guiné-Bissau ainda não o ratificou devido a crise política que assola o pais há mais de 2 anos.

ANG/JAM/SG






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